8 de outubro de 2016

Confesso-me confuso

Ontem fui confrontado com um texto publicado pelo Presidente da Câmara na sua página de Facebook, a propósito da passagem do 3º aniversário da sua tomada de posse.

Mais do que uma defesa da gestão e da forma de fazer política neste mandato, o texto é acima de tudo um ataque odioso e cerrado ao passado autárquico, com críticas, acusações e insinuações que só se poderão explicar se tiverem sido fruto de um momento de descontrolo emocional. É certo que há quem defenda que é precisamente nestes momentos que as pessoas revelam a sua verdadeira personalidade e o seu verdadeiro carácter, mas também é verdade que todos temos dias menos bons.

Como o texto não cita nomes nem refere períodos temporais, poderemos partir do princípio que estas críticas ferozes se aplicam a todos aqueles que desempenharam o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Esposende desde que o Poder Autárquico passou a ser eleito democraticamente.

Refere-se o Presidente da Câmara a um período em que, segundo ele, dominou um poder absolutista e ditatorial, num concelho onde as pessoas não seriam livres, em que teriam de pagar favores, em que teriam de ser subservientes. E no plano da gestão, refere-se o autarca a um período de devaneios, que perturbaram a saúde financeira do Município e que impediram que se investisse nas “pessoas”.

Confesso que por mais esforço que faça não me consigo lembrar de se ter vivido tal realidade no concelho de Esposende entre 1990 e 2013, período em que acompanhei mais de perto e estive directa ou indirectamente envolvido na gestão municipal. Contudo, como nestas coisas a opinião e a análise é sempre subjectiva, aceito que alguém em determinada altura, por conveniência própria, entenda que o concelho de Esposende tenha sido uma espécie de Coreia do Norte europeia.

Depois de reflectir sobre o assunto, tenho pelo menos uma certeza: o tal período absolutista, ditatorial, de devaneios e de favores não se viveu entre 2009 e 2013.

Digo isto, porque parto do princípio que se tal acontecesse, qualquer pessoa com coluna vertebral, que integrasse uma equipa liderada por um ditador e absolutista de seriedade duvidosa, teria imediatamente abandonado essa mesma equipa ou, no mínimo teria manifestado a sua discordância, nem que fosse à porta fechada. Sim, porque ser vereador é uma opção pessoal. Ninguém está obrigado. Se o actual Presidente da Câmara fez parte durante 4 anos, como vice-presidente, de uma equipa autárquica sem nunca ter manifestado a sua discordância, em público ou em privado, sobre a forma como a mesma estava a ser liderada, é porque se revia nessa liderança. Se não se revisse, teria abandonado a equipa, já que tal só dependia da sua vontade e decisão.

Partindo-se então do princípio que o período referido não é o compreendido entre 2009 e 2013, seria então um período anterior? Não me parece. Entre 2005 e 2009 o autor do texto foi autarca de freguesia e sempre apoiou entusiasticamente a liderança municipal, e antes de 2005 não se lhe conhece qualquer actividade partidária e/ou autárquica relevante, pelo que não faria sentido que alguém se pronunciasse de forma tão cáustica sobre uma realidade que não conhecesse.

Como esposendense espero e desejo sinceramente que o Presidente da Câmara concentre todo o seu tempo e todo o seu saber na gestão do Município, nomeadamente na implementação de projectos e medidas que visem o seu desenvolvimento, a sua competitividade e a sua afirmação na região. Começa a ser preocupante abrirmos diariamente os jornais e lermos notícias sobre a fixação de empresas e consequente criação de emprego nos concelhos vizinhos, através de investimentos de dezenas de milhões de euros, enquanto por cá as notícias são quase sempre sobre festas, eventos e lançamento de livros.

Tenho a certeza que nestes últimos 12 meses de mandato veremos finalmente implementado o projecto autárquico que nos foi apresentado nas eleições de 2013, que apoiei e no qual votei, e que prometia uma forte aposta e investimento no apoio às famílias e ao desenvolvimento económico.

Mas para que tal aconteça é fundamental que os nossos autarcas aprendam a conviver com a crítica e com a divergência de opinião, próprias de uma democracia; que não se distraiam nem vivam preocupados com questões laterais e de somenos importância; e que concentrem todas as suas energias e todo o seu tempo em 3 prioridades: DECIDIR, FAZER, RESOLVER!

Uma última nota para lamentar que no seu texto de balanço de 3 anos de mandato, que segundo o autor libertaram Esposende de décadas de marasmo e de falta de liberdade, o Presidente da Câmara não tenha feito um agradecimento aos vereadores, aos membros da Assembleia Municipal, aos autarcas de freguesia, aos administradores das empresas municipais, aos colaboradores do Município, aos dirigentes associativos e aos munícipes em geral. Quero acreditar que foi por esquecimento. Achar que o suposto sucesso é mérito de um homem só, isso sim, poderia ser entendido como um pensamento absolutista. Foi certamente esquecimento.