Não tenho por hábito comentar política nacional, mas não resisto a deixar aqui dois ou três considerandos sobre a forma como está a ser preparado o Orçamento do Estado para 2017 e sobre o papel que a esquerda radical está a ter no processo.
Ao percorrermos o país encontramos centenas ou milhares de portugueses que, começando do nada, conseguiram ao longo da sua vida criar riqueza e juntar património. Não estou a falar obviamente daqueles malabaristas, que enganando tudo e todos, lá conseguiram enriquecer à custa do esforço alheio. Falo daqueles que fizeram sacrifícios, que passaram provações, que comeram o pão que o diabo amassou, que trabalharam de sol a sol. Falo também daqueles que tiveram de abandonar o seu país e as suas famílias, emigrando, que viveram e trabalharam arduamente muitas vezes em condições desumanas. Em resumo, falo daqueles que criaram riqueza à custa do seu suor, do seu trabalho e de muitos sacrifícios.
Depois também podemos encontrar no país uns quantos cidadãos que nunca gostaram de “vergar a mola”, que sempre viveram à custa dos subsídios do Estado, que veem no trabalho o inimigo nº1, e que com esta forma de ser e de estar obrigaram e obrigam as suas famílias a viverem na pobreza ou no limiar da pobreza.
Revolta-me ver agora uma miúda da esquerda caviar, que só calça sapatilhas All Star e escreve com canetas de pena Mont Blanc, dizer descaradamente “Temos de perder a vergonha e ir buscar a quem está a acumular dinheiro”. Uma miúda que para além de ser filha de um tipo que participou no assalto ao Santa Maria, no desvio de um avião da TAP e no assalto ao Banco de Portugal da Figueira da Foz, foi transformada pelos media numa “political star” só porque gracejou com o Bava numa comissão de inquérito. Uma miúda que quando há uns meses lhe perguntaram num programa de televisão qual seria a primeira medida que tomaria para tirar o país da crise, caso fosse primeira-ministra, respondeu “aprovaria a adopção por casais do mesmo sexo”.
Revolta-me ver esta gente querer sacar dinheiro a quem trabalhou toda uma vida para dar a quem não quer nada com a vida.
Há uma expressão que detesto, mas que infelizmente se tem de aplicar ao protagonismo e ao poder que esta esquerda ressabiada está a ter neste momento na governação do país: isto vai acabar mal!
Declaração de interesses: não vou ser afectado pelo novo imposto sobre o património imobiliário.