9 de setembro de 2016

Há limites

Todos estamos recordados da onda de solidariedade para com os bombeiros que se gerou há uns tempos atrás, no pico da vaga de incêndios que fustigaram e continuam, infelizmente, a fustigar o país.

Empresas, instituições e população em geral mobilizaram-se e encheram os quartéis de bombeiros de água e de bens alimentares.

Por essa altura o vereador do Partido Socialista na Câmara Municipal de Esposende propôs em reunião de Câmara que a autarquia reforçasse com 7.000 euros o apoio financeiro às duas corporações de bombeiros do concelho, ou seja, um apoio de 3.500 euros para cada uma. O argumento apresentado, para além da necessidade evidente, foi de que se trataria apenas de 0,001% do saldo bancário do Município, que nessa altura ultrapassava os 7 milhões de euros, saldo que com os 3,5 milhões do empréstimo que foi entretanto contraído deverá rondar neste momento os 10 milhões de euros.

A proposta foi liminarmente rejeitada pelo presidente da Câmara, argumentando que até àquela altura não tinham praticamente ocorrido incêndios no concelho, parecendo desconhecer que as corporações locais também têm encargos acrescidos com a sua participação no combate a fogos florestais noutras localidades do país. Não imaginava o autarca que passadas duas ou três semanas a tragédia haveria de se abater precisamente sobre o concelho de Esposende.

No passado Domingo manifestei nas redes sociais a minha estranheza pelo facto da autarquia ter gasto um valor significativo com a publicação no jornal Correio da Manhã de um anúncio de quase uma página, relativo ao concerto que visa assinalar o “regresso às aulas”, sabendo-se que o mesmo se destina essencialmente aos alunos do concelho. O meu comentário foi uma espécie de manifestação de estupefacção.

Pois bem, hoje quero manifestar, como munícipe e como contribuinte, a minha mais profunda revolta e indignação pelo que acabei de constatar ao consultar o Portal dos Contratos Públicos: a Câmara Municipal de Esposende pagou à empresa Cofina, proprietária do jornal Correio da Manhã, 18. 716€ pela publicação de publicidade aos eventos de Verão. Vou repetir: 18.716 euros.

Se somarmos a este valor, verdadeiramente escandaloso, os restantes gastos com a publicação de publicidade noutros órgãos de comunicação social, em outdoors, cartazes, brochuras, monitores das caixas Multibanco, etc, etc, etc, julgo que não estarei muito enganado se disser que se gastaram muito perto de 40.000€ só a fazer publicidade àquilo que parece ser a “obra de referência” desta presidência: as festas, festinhas e festarolas de Verão.

Há limites para tudo, mas principalmente tem de haver limites para o desbaratar do dinheiro público.

Por isso, lanço aqui um repto ao presidente da Câmara: que atribua a título excepcional às corporações de bombeiros do concelho um subsídio de igual valor ao que gastou com a publicidade aos tais eventos.

Bem sei que corro o risco de ser acusado, mais uma vez, de estar a utilizar os bombeiros para fazer política, e se calhar até haverá dentro da classe quem concorde com a acusação, mas se este meu “mau comportamento” resultar num contributo para uma melhor gestão do dinheiro público, já valeu a pena.

Contrato com a Cofina: www.base.gov.pt/base2/rest/documentos/208896