É por essa razão que não poderia, nem deveria, ser sequer questionada a decisão da Câmara Municipal de Esposende de mandar erigir um monumento ao bombeiro
Contudo, algo que deveria ter sido consensual, como merecem os nossos bombeiros, rapidamente se transformou num assunto de discussão em praça pública.
Tal só aconteceu porque o processo foi claramente mal gerido, desde logo porque foi gerido com a típica urgência de um período pré-eleitoral.
Em síntese, a Câmara Municipal esteve francamente mal.
Esteve mal quando deixou de fora do processo a corporação de Bombeiros de Fão, não lhes pedindo opinião sobre o tipo de monumento e sobre a sua localização. Esteve mal ao escolher o local para a colocação do monumento. Esteve mal ao escolher o tipo de monumento a erigir.
Teria sido tudo muito mais fácil, simples e pacífico, se não tivesse havido pressa em mostrar serviço e se tivesse sido promovida uma participação e discussão mais alargada sobre o assunto.
Comecemos pelo timing.
Qualquer altura é boa para homenagear os bombeiros, mas como em tudo na vida há prioridades. É difícil perceber que tenha havido tanto empenho político no processo de criação do monumento, nomeadamente no plano da disponibilidade financeira, quando não se vê o mesmo empenho na resolução de problemas urgentes, como por exemplo na criação das Equipas de Intervenção Permanente, uma necessidade verdadeiramente premente. Sei bem, aliás, que esta é uma opinião partilhada por muita gente ligada às corporações concelhias.
Por outro lado, a escolha do local para a colocação do monumento também foi claramente infeliz.
A conclusão a que se chega é que nem mesmo o facto de se ter percebido ao longo dos anos, com a experiência do Monumento ao Homem do Mar, que o Largo Rodrigues Sampaio não é o melhor espaço para se colocar esculturas/monumentos, parece ter sido suficiente para levar os responsáveis municipais a estudarem outras alternativas. Os fotógrafos depois do Monumento ao Homem do Mar “Mananita”, passam agora a ter o Monumento ao Bombeiro “BPI” (passe a publicidade).
Pessoalmente, acho que o monumento deveria ter sido colocado no jardim à entrada da Avenida Marginal, junto à rotunda da Solidal. Para além da visibilidade que teria por ficar naquela que é hoje a principal entrada na cidade, ficaria de certa forma equidistante dos quartéis das duas corporações concelhias, o que não deixaria de ser uma opção com um certo simbolismo, que evitaria algumas das críticas que se têm ouvido. Mas relativamente à questão da localização, tal como diz o povo: cada cabeça sua sentença. Estou certo que haveria outras boas opções. A que foi escolhida é que não.
Por fim, uma nota sobre o tipo de monumento.
Não pondo em causa a opção dos escultores, até porque sou admirador do seu trabalho, julgo que o conceito poderia ter sido um pouco diferente, cabendo à Câmara Municipal a responsabilidade de dar orientações nesse sentido.
Passo a explicar.
O dia 27 de Setembro de 2009 ficou registado na história do concelho como o dia mais trágico para os bombeiros concelhios: faleceram vítimas de acidente de viação três bombeiros da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Esposende.
O desaparecimento do Paulo Lachado, do Pedro Torres e do Pedro Sousa provocou uma grande consternação em toda a população e criou uma enorme união em torno dos bombeiros, no fundo aquilo que deve representar um monumento a eles dedicado.
Apesar de lhes ter sido atribuída em 2010, a título póstumo, a Medalha de Mérito Municipal, este teria sido o momento ideal para lhes prestar a verdadeira homenagem, ao criar-se um monumento ao bombeiro inspirado nestes três homens. Seria uma espécie de dois em um: homenagear todos os bombeiros através da figura do Paulo, do Pedrito e do Pedro.
Estou certo que um monumento com dimensão, inspirado nestes três bombeiros e colocado num local que não estivesse rodeado de painéis publicitários, teria com certeza a aprovação da esmagadora maioria da população.
Imagino que a opção por um monumento de pequena dimensão não tenha sido motivada por questões financeiras, já que estamos a falar de uma Câmara Municipal que tem 5 ou 6 milhões de euros depositados no banco e até acabou de contrair um empréstimo de mais 3,5 milhões.
Tal como dizia o meu avô: “Depressa e bem, não há quem”.