Nos três últimos anos, apesar de grande empenho meu, nunca consegui que o presidente da Câmara Municipal me respondesse a uma carta, a um email ou um simples SMS.
Cheguei a temer que se tratasse de uma questão pessoal, muito provavelmente de vingança por lhe ter feito a desfeita de o encaminhar até à cadeira presidencial, algo que só fazemos a quem queremos mal e a quem queremos perseguir.
Mas não. Em pouco tempo descobri que esta metodologia de não dar resposta aos munícipes, às instituições e às empresas era prática generalizada, tal era o número de pessoas que se queixava do mesmo.
Agora parece que finalmente descobri a forma de obter uma resposta rápida por parte do nosso edil: basta envolver a comunicação social.
Por estes dias escrevi um texto dando a minha opinião pessoal sobre o processo de criação do Monumento ao Bombeiro. Limitei-me a escrever que entendia que o processo tinha sido mal gerido pela autarquia, criando alguma polémica à volta de um assunto que deveria ter sido consensual, e defendi que a solução poderia ter sido outra. Em momento algum pus em causa a justiça da homenagem. Contudo, bastou que a comunicação social tivesse feito eco deste meu texto, para que o presidente da Câmara se apressasse a dar resposta pela mesma via.
É muito provável que o texto-resposta até tenha sido elaborado por um certo assessor de imprensa, cujo salário também é pago com os meus impostos. O que é certo é que vi nas redes sociais um link com o título “ Benjamim Pereira lamenta que se esteja a utilizar os bombeiros para fazer política”.
Parece que finalmente estamos de acordo numa questão. Tal como o presidente da Câmara, também eu lamento que os bombeiros sejam utilizados para fazer política, principalmente quando se está à porta de umas eleições. Outra coisa que também lamento, é que certos autarcas sejam seguidores da máxima “olhai para o que eu digo, não olheis para o que eu faço”.
Talvez este episódio venha a ter algumas consequências positivas. A primeira é que agora a Câmara Municipal, para mostrar que eu estava errado no que escrevi, se empenhe na resolução dos reais problemas dos bombeiros, que não ficaram resolvidos com a colocação do monumento. A segunda consequência é que como costumam ser chamadas ao gabinete presidencial as pessoas que escrevem nos blogues e nas redes sociais críticas ao presidente, talvez eu também seja chamado e consiga finalmente ter as respostas que não consegui obter nos últimos três anos.
Na vida há aqueles que escrevem e dizem o que pensam e há aqueles que escrevem e dizem o que julgam que os outros querem ler e ouvir. Na política dominam os segundos, mas talvez seja essa uma das razões porque os políticos têm a imagem que têm.