Este método, que se foi intensificando ao longo destes dois anos e meio de mandato, foi novamente utilizado esta semana na cerimónia de apresentação de um plano de investimentos para as freguesias, no valor de 5 milhões de euros, ao afirmar: “Não há memória de tão elevado investimento directo da câmara municipal”.
Não necessitando de recuar mais no tempo, impõe-se relembrar que entre 2009 e 2013 a Câmara Municipal de Esposende realizou mais de 13,5 milhões de euros de investimento directo, ou seja, investimento suportado na totalidade pelo Município, sem a contratação de qualquer empréstimo para o efeito e sem financiamento do Poder Central ou de Fundos Comunitários. Nestes 13,5 milhões de euros não estão sequer contemplados os investimentos em saneamento básico, realizados diretamente pela empresa municipal Esposende Ambiente. Nesse domínio, e só no biénio 2009-2010, foram investidos mais de 5 milhões de euros, ou seja mais do que a câmara municipal anuncia que vai investir até às próximas eleições em todo o tipo de obras.
Este é só um exemplo. Poderia recuar mais no tempo, nomeadamente ao tempo da presidência de Alberto Figueiredo, e apresentar muitos outros exemplos.
Mas já que a questão foi levantada, façamos uma breve análise ao que agora foi anunciado.
O presidente da Câmara Municipal anunciou um conjunto de obras para os próximos 2 anos, no valor total de 5 milhões de euros, e diz que tal só é possível porque o Município apresenta uma situação financeira invejável.
Vejamos então:
- O actual presidente iniciou o seu mandato com 2,5 milhões de euros que transitaram do mandato anterior;
- A receita corrente da Câmara Municipal, que resulta essencialmente da cobrança de impostos, taxas e tarifas aos munícipes, cresceu em 2014 mais de 900.000 euros comparativamente a 2013;
- A receita corrente em 2015 foi superior à de 2013 em 1,6 milhões de euros.
Se somarmos estas três “receitas extraordinárias” temos então: 2,5 + 0,9 + 1,6 = 5 milhões de euros. Já nem sequer acrescento os 1,7 milhões de euros de Fundos Comunitários que recebeu recentemente para obras que já tinham sido executadas e integralmente pagas pelo Município. Em síntese, o que o presidente da Câmara herdou do mandato anterior somado ao que cobrou a mais nos dois últimos anos aos munícipes, chega para pagar o tal plano de investimentos agora anunciado.
Mesmo assim é surpreendentemente anunciada a contratação de um empréstimo bancário no valor de 3,5 milhões de euros. É no mínimo estranho que uma câmara municipal que goza de tão boa saúde financeira tenha de contrair um empréstimo de tal dimensão para fazer obra.
De qualquer forma, o mínimo que se espera de um município que em 2015 gastou quase 1 milhão de euros em eventos, é que em dois anos invista 5 milhões em infraestruturas e equipamentos nas 15 freguesias do concelho.
Espero sinceramente que esse plano de investimentos seja mais do que uma mera intenção. Se se concretizar quem ganha são os munícipes e o Município.
Escrevo este texto porque nunca deixarei de defender o trabalho realizado e os resultados obtidos pelo Município enquanto exerci funções autárquicas. Não permitirei que sejam desvalorizados, seja por quem for. Faço-o, e fá-lo-ei sempre, porque foram mérito e esforço de muita gente que merece ser respeitada: colaboradores do Município, autarcas de freguesia, vereadores, deputados municipais, etc.
“Na desvalorização do passado está implícita uma justificativa da nulidade do presente.”
Mesmo assim é surpreendentemente anunciada a contratação de um empréstimo bancário no valor de 3,5 milhões de euros. É no mínimo estranho que uma câmara municipal que goza de tão boa saúde financeira tenha de contrair um empréstimo de tal dimensão para fazer obra.
De qualquer forma, o mínimo que se espera de um município que em 2015 gastou quase 1 milhão de euros em eventos, é que em dois anos invista 5 milhões em infraestruturas e equipamentos nas 15 freguesias do concelho.
Espero sinceramente que esse plano de investimentos seja mais do que uma mera intenção. Se se concretizar quem ganha são os munícipes e o Município.
Escrevo este texto porque nunca deixarei de defender o trabalho realizado e os resultados obtidos pelo Município enquanto exerci funções autárquicas. Não permitirei que sejam desvalorizados, seja por quem for. Faço-o, e fá-lo-ei sempre, porque foram mérito e esforço de muita gente que merece ser respeitada: colaboradores do Município, autarcas de freguesia, vereadores, deputados municipais, etc.
“Na desvalorização do passado está implícita uma justificativa da nulidade do presente.”
Antonio Gramsci