27 de abril de 2016

O futuro

Faltam sensivelmente 18 meses para as próximas eleições autárquicas.

A esta distância já abundam os prognósticos e os palpites sobre os cenários políticos que se irão apresentar no concelho, nomeadamente sobre os possíveis candidatos à Câmara Municipal. Ouvem-se no café e na rua, lêem-se nas redes sociais, nos jornais e nos blogues. Já há quem afirme a pés juntos que o A vai ser candidato, sendo acompanhado pelo B, o C e possivelmente o D, ou que o E vai ser o segundo ou terceiro da lista do F.

A facilidade com que transformamos um palpite ou um “diz-que-disse” numa certeza absoluta assemelha-se muitas vezes à facilidade com que tomamos um café pela manhã.

Porque o meu nome tem sido envolvido nos tais prognósticos e palpites, sendo-me imputadas com frequência intenções e estratégias, gostaria de esclarecer que tudo o que se disse ou escreveu até ao momento sobre a minha pessoa e que envolve as próximas eleições autárquicas não passa de especulação.

Neste momento não sou candidato a nada. Melhor dizendo, não sou mas também não deixo de ser.

Todos sabem que deixei a presidência do Município em 2013 não por vontade própria, mas porque a lei assim o impôs. Também nunca escondi que o tempo e os recursos de que dispus não foram suficientes para concretizar tudo aquilo que gostaria de ter concretizado. Assim sendo, e porque não tenho nem nunca tive compromissos em contrário com ninguém, não descarto a possibilidade de um dia me apresentar novamente a votos e de colocar democraticamente nas mãos dos esposendenses a decisão de se efectivar um regresso à actividade autárquica.

Os próximos meses serão meses de reflexão. Quero ouvir e sentir a opinião dos esposendenses, principalmente daqueles que, despidos de preconceitos e de interesses pessoais, são capazes de avaliar o que é melhor para o seu concelho.

O resultado dessa reflexão, a par obviamente das questões profissionais e familiares, será determinante para uma decisão, devidamente ponderada, de apresentar aos eleitores um novo projecto de desenvolvimento para o concelho de Esposende.

Se for candidato, não serei candidato contra nada nem contra ninguém. Serei candidato por uma forma de estar e de gerir os destinos do concelho, que os esposendenses já conhecem e que sufragaram noutras ocasiões.

Aqueles que no dia 8 de Outubro de 2013 já se preocupavam com um possível regresso e que perante a opinião pública já faziam de mim candidato a candidato, sem que tal tivesse sequer perpassado o meu pensamento, poderão ver assim concretizado esse seu prognóstico. Falharão é na argumentação. “Agarrado ao poder”?! Não. Agarrado à vontade de trabalhar novamente pela afirmação e pelo desenvolvimento da minha terra.

A verdade é que também não há nenhum factor de natureza política que me impeça de voltar a ser candidato à presidência da Câmara Municipal de Esposende. Se o fizer, nem sequer estarei a ser incoerente com as minhas opiniões. Já assumi frontal e publicamente que não me revejo na forma como o Município tem sido gerido, principalmente no que às prioridades diz respeito. Em 2013 votei e apoiei um projecto político que se propunha apostar na coesão social, na educação e no desenvolvimento económico, nomeadamente na criação de emprego. Não apoiei e votei num projecto político que aposta essencialmente na mediatização e na imagem, consumindo um volume significativo de recursos da autarquia com essa prioridade. Por outro lado, viver de eventos, anúncios e de atribuição de subsídios é muito pouco para um município que ao longo das últimas décadas se tornou exemplo a nível regional e nacional em muitos e variados domínios. Os estudos valem o que valem, mas estou certo de que nenhum esposendense se sentiu orgulhoso quando há dias foi confrontado com a triste realidade do seu município ter caído, em apenas um ano, 28 posições no ranking dos melhores municípios portugueses.

Em democracia umas vezes ganha-se outras vezes perde-se. A maior das derrotas não é ter menos votos. A maior das derrotas é não fazer nada por medo, calculismo ou comodismo, quando são muitos aqueles que acham que é possível fazer mais e melhor.

No final o povo é sempre soberano.