Realizou-se ontem a cerimónia de inauguração de um mural evocativo dos Presidentes da Câmara Municipal de Esposende, instalado nos Paços do Concelho.
Como poderão constatar, há largos meses que não me pronuncio sobre assuntos que dizem respeito à actividade do Município. Contudo, porque foram várias as pessoas que me manifestaram a sua tristeza, e até a sua desilusão, por não ter estado presente na cerimónia de ontem, entendo dever escrever duas ou três notas sobre o assunto.
No final da manhã da passada terça-feira fui contactado telefonicamente por uma funcionária da Câmara Municipal que queria confirmar se eu iria estar presente na cerimónia de inauguração do mural, cerimónia para a qual não havia sequer sido convidado. Respondi que não podia.
No mesmo dia, praticamente à mesma hora, tinha (e tive) uma reunião de trabalho com um presidente de câmara, reunião que havia sido gentilmente marcada poucos dias antes. Pode parecer estranho, mas há autarcas com os quais se consegue agendar uma reunião em poucos dias, não sendo necessário esperar meses por esse agendamento.
Contudo, não foi difícil perceber que a minha ausência na dita cerimónia era algo de desejado.
Sinceramente não acredito que a escolha do dia não tenha sido antecedida de uma consulta aos restantes três ex-autarcas que estiveram presentes na cerimónia, afim de saber da sua disponibilidade de agenda. Também não acredito que não lhes tenha sido feito um convite pessoal e personalizado. Por isso, se ninguém me perguntou se estaria disponível naquele dia e se ninguém me convidou, apesar de terem dito que enviaram um convite pelo correio (convite que nunca recebi), certamente que a minha não participação na cerimónia era algo de desejado, para ser apresentado como mais um acto de má vontade e de conflito, intenção que no fundo faz parte de um plano de estratégia política bastante mais vasto. Quer-se mostrar que há consideração e que se quer o entendimento, quando em dois anos e meio nem sequer houve resposta às várias tentativas de marcação de uma conversa pessoal e privada para se procurar esse entendimento.
Reconheço que devo um pedido de desculpas aos munícipes e aos colaboradores do Município. Eles mereciam que tivesse estado presente como representante de todos aqueles que contribuíram durante quase 15 anos para o desenvolvimento e crescimento do concelho. Aliás, esta personalização dos mandatos autárquicos, com uma espécie de endeusamento de quem lidera, é uma profunda injustiça. Não há presidentes de sucesso sem muita gente válida à sua volta.
Os munícipes e os colaboradores do Município merecem-me tudo, até que me dispusesse a fazer o papel de figurante para mais uma sessão fotográfica presidencial. Por isso, peço-lhes que não entendam a minha não participação na cerimónia como uma falta de respeito ou de consideração para com eles.
Quanto aos motivos por que esta cerimónia foi promovida, quem está mais atento ao fenómeno político local, facilmente os perceberá.